A invasão da direita burra as redes sociais.

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Todos aqueles que de alguma forma utilizam as redes sociais da internet já devem em algum momento ter se deparado com tópicos e comentários constantes e sistematizados de algum reacionário que pela quantidade de postagens parece destinar “30 horas” por dia a este tipo de atividade.
Esse fenômeno não é tão aleatório, tal como uma análise pouco atenta possa apontar. Com certeza existe o fator da espontaneidade. A internet deu voz a muitos que não possuíam, hoje como nunca são variadas as fontes de informações. No entanto, esta multiplicidade de fontes não garante por si só a qualidade da informação. Para além da abertura democrática que com certeza é um ganho existe também o lado negativo desta proliferação, muito espaço para conteúdo de má qualidade é aberto. Uma viva ao senso comum, preconceito, boataria e “desinformação” em geral.

Aproveitando desta brecha, sujeitos reacionários que nunca tiveram coragem de se expor politicamente publicamente (nas ruas, sindicatos, associações civis e etc), ganharam confiança e agora “gritam” para milhares de pessoas a verborragia que antes só era exposta em mesas de jantares da casa de sua família, junto ao taxista que está lhe prestando um serviço ou mesmo em frente da banca de jornal onde compram o Globo. A internet acabou de ampliar a voz destes reacionários de porão, que agora vem a luz do mundo por se sentirem seguros para desfilar seus preconceitos e opiniões mal formuladas virtualmente sem ter que encarar qualquer consequência. 

Para além deste fator existe também a sistematização. Sabendo do poder das mídias digitais, que é apontada como instrumento poderoso capaz de derrubar governos e até regimes.
Os mais diversos setores políticos investem recursos e energia nas redes sociais. Campanhas de blogs bancados pela CIA contra o regime cubano e notícias “fakes” virais contra o governo venezuelano são exemplos deste tipo de intervenção nas redes. 

Em nosso país, temos cada vez mais pessoas de empresas e governos infiltrados nas redes. E salta à vista a inserção de setores de extrema direita atuando desta forma. O sucesso de sua dispersão nos espaços virtuais com certeza conta com o fator do exotismo. As ideias lunáticas da extrema direita nacional de tão absurdas cria estardalhaço. Imagine você “um golpe comunista do PT em 2014 com apoio da China e Cuba comunista, apoiado pela grande imprensa gay”, com certeza a história parece efeito de lsd em algum romancista de quinta categoria. De tão ridículo fica difícil não comentar tal absurdo.
De certo tem um pé de verdade a afirmação que render tais alucinações é “bater palma pra maluco dançar”. Pois ao discutir com seriedade tais sandices acabamos dando visibilidade a postagens e comentários que defendem este tipo de coisa. No entanto, ignorar tais propagandas idiotas sem contra argumentar também é um caminho perigoso. 

categoria. De tão ridículo fica difícil não comentar tal absurdo.
De certo tem um pé de verdade a afirmação que render tais alucinações é “bater palma pra maluco dançar”. Pois ao discutir com seriedade tais sandices acabamos dando visibilidade a postagens e comentários que defendem este tipo de coisa. No entanto, ignorar tais propagandas idiotas sem contra argumentar também é um caminho perigoso.
Mesmo que os discursos sejam bizarros, não devemos duvidar da capacidade deles funcionarem. Pois a adesão as ideias pela maior parte das pessoas se dão sobretudo pelo emocional. Autores como William Reich já discutiam como o discurso emocional pode funcionar nas massas. A máxima da propaganda nazista de Goebbels de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” deve ser levada em consideração. O discurso de fácil assimilação e potente conteúdo emocional “cola” mais do que extensos debates de alto grau de fundamentação conceitual.
Até a biologia joga contra agente neste sentido, segundo a neurociência é tendência do cérebro economizar energia, e o pensamento complexo gasta mais energia do que o superficial.
Não devemos de forma alguma subestimar o estrago político social que a verborragia da extrema direita pode causar. O reino da opinião e preconceito é reforçado diariamente a décadas pela grande mídia. Também há décadas os espaços institucionais de formação destinam-se a formar analfabetos funcionais.
Para ser eficaz revistas semanais como a Veja e “pensadores” como Olavo de Carvalho não precisam estar certos, fundamentados. Mais sim massificar ao máximo no contexto certo. A ação de nerds de direita, surtados pseudo esclarecidos e grupos organizados de extrema direita em um terreno fértil para suas ideias graças a setores ressentidos da sociedade, da elite e da classe média parece andar de vento e poupa.
Soma-se o suporte dos mais variados programas da grande mídia (jornais de apologia a repressão policial, programas de comédia preconceituosos, e pseudo conteúdo critico de jornalistas comentadores), a grandes blogs e sites de direita na internet, que “curiosamente” são muitas vezes bancados por instituições e organizações internacionais para criar “informação” que logo será replicada em postagens, memes e comentários por páginas e perfis de grupos e indivíduos da direita militante, assim como, fakes destes perfis.
Frente a tal fenômeno, cabe a nós da melhor forma possível contrapor este grande mecanismo “endireitador”. Precisamos revelar o que se esconde por trás desta, aparentemente banal, invasão da extrema direita às redes socias. A engenhosidade e seu perigo. Muita coisa está em jogo para não estarmos atentos.

Fascistas NÃO PASSARÃO!

(Diego Felipe)

Imagens do 7 de Setembro e Grito dos Excluídos no RJ

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Prefiro no 2º turno Dilma x Marina; a Dilma x Aécio.

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Texto escrito por Bruno Cava, de grande valia no entendimento dos andamentos políticos para as eleições presidenciais de 2014.

Bruno Cava é escritor, pensador político e autor do blog http://www.quadradodosloucos.com.br/

Prefiro no 2º turno Dilma x Marina; a Dilma x Aécio.

Pelos seguintes motivos:

1) PSDB fora do segundo turno e Aécio politicamente enterrado em nível nacional.

2) Se Dilma ganha no primeiro turno, governo se tornará ainda mais convicto de seu projeto neodesenvolvimentista e de sua leitura fechada e até criminalizadora das jornadas de 2013, dos movimentos e coletivos autônomos.

3) Sou pela superação da democracia representativa, mas isto não pode ser uma posição abstrata. Ser contra a representação significa ser contra os arranjos materiais e as forças materiais que compõem o sistema político. No Brasil, isto significa 20 anos de bipolaridade PT x PSDB com fundo pemedebista, na esteira da expansão do capitalismo no Sul global.

4) Marina não é a superação da democracia representativa, nem exprime uma tendência mais à esquerda, nem representa as jornadas de 2013. Seria ingênuo e reducionista acreditar nisso.

5) Mas a candidatura de Marina ajuda a esboroar, pelo menos, o bloco bipolar PT x PSDB. Indício disso é o horror com que essa candidatura é encarada por aecistas e dilmistas linhas-dura. Indício disso, ainda, é que votos nulos e brancos e prováveis abstenções estejam migrando para o voto em Marina. Não vejo porque abrandar as contradições internas ao sistema político.

6) Eu acredito que existam energias de transformação cristalizadas no PT e no governo Dilma. Elas são minoritárias. Proporcionalmente é menos do que fora do PT, porém, como o PT é gigante, em números absolutos é algo relevante. Aécio x Dilma ajuda a manter essas energias cristalizadas, ao reproduzir esquemas mentais (fantasma da direita, menos pior, volta do FHC etc). Dilma x Marina, ao contrário, coloca os esquemas mentais em crise. Não é fácil, considerando o governo Dilma, recriar esses esquemas, sem revelar as próprias contradições (exemplo: chamar a Marina de fundamentalista revela a própria intimidade com a pauta religiosa e, ao mesmo tempo, o preconceito contra evangélico). Isso vai forçar uma requalificação da campanha. É possível que Dilma x Marina force essas energias cristalizadas a sair da zona de conforto e ter de mover-se, e entrar em fluxo. Algo de bom pode sair daí.

7) Por último, é claro que as eleições são secundárias em relação às lutas, não acredito que devemos se subjetivar por elas, tampouco temos muito tempo pra isso considerando outras urgências. No entanto, elas têm sim alguma relevância, ou pelo menos a maioria das pessoas acredita que tenha e vá dedicar alguma atenção nas eleições. Isso não é desprezível, para que não se arroga da posição de estar "acima das massas".
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Sequência: Mobilidade Urbana e Direito a Cidade

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O projeto Favelarte Rj nos presenteia uma série de videografias críticas que possuem o intento de debater a questão da mobilidade urbana e direito a cidade a partir das obras de preparação da cidade para os mega-eventos.

Os vídeos retratam entre outros a falta de participação popular, a crítica a manutenção no modelo rodoviarista (que já não é mais um paradigma seguido no mundo todo), o debate sobre as escolhas da gestão.

Vale a pena acompanhar o debate proposto pelo canal Favelarte RJ

 

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