Não pague mico. "Dicionário" para debates políticos na Internet.

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Em debates e discussões políticas nas redes sociais é impossível não nos depararmos com determinados conceitos das ciências humanas. Recentemente o momento eleitoral e o fenômeno dos “spamers” da extrema direita poluíram o espaço virtual com diversos debates superficiais que dificilmente superavam o nível do senso comum. Muitas vezes estas argumentações fundamentadas sempre na opinião demostravam erros grosseiro de conhecimento de política. Para contrapor tais absurdos da militância virtual de senso comum vale a pena apontar o significado de conceitos chaves para orientar uma discussão coerente e não esquizofrênica sobre política e sociedade.

Esquerda X Direita:



A divisão de setores políticos entre esquerda e direita surgiu no período da revolução francesa. Quando os membros da Assembleia Nacional se dividiram em partidários do rei à direita do presidente e simpatizantes da revolução à sua esquerda. Desde então direita passou a significar posição da ordem, da conservação e poder constituído e esquerda da mudança e das reivindicações de espectro social atrelados aos lemas da transformação social. Na esquerda podemos incluir progressistas, ambientalistas, social-democratas, socialistas, democrático-socialistas, libertários socialistas, comunistas e anarquistas , enquanto na direita podemos inclui fascistas, conservadores, reacionários, neoconservadores, capitalistas, neoliberais, monarquistas, teocratas , nacionalistas e nazis.

O que normalmente se confunde: 
Muitas vezes erroneamente entende-se que ser de esquerda é ser oposição a governos e que de direita é estar no governo. No entanto, nem sempre esta associação é válida. Dependendo da situação grupos de esquerda podem estar no governo (como no caso do Governo de Allende no Chile ou mesmo no de Chavéz na Venezuela) e a oposição pode ser composta de grupos de direita (como no caso da oposição golpista que derrubou Allende e instalou Pinochet no poder).

Governo, Estado e poder:


Outra distinção necessária é entre governo, estado e poder.

Estado é um conjunto de instituições (governo, forças armadas, funcionalismo público etc.) que controla e administra uma nação (país soberano, com estrutura própria e politicamente organizado). O Estado Moderno é responsável pela organização e pelo controle social detendo o monopólio da violência legítima.

Governo é a parte administrativa do estado, ou seja núcleo diretivo do Estado, na democracia capitalista alterável por eleições.

Poder: é a capacidade de deliberar e dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, o império.

O que normalmente se confunde:
1) Quem está no governo está no poder? Muitas vezes determinados grupos políticos chegam no governo mas por conta dos mecanismos gerais de administração do Estado ou mesmo por conta do contexto e composição social não conseguem exercer poder. Exemplo: determinados grupos políticos elegem um presidente, mas o legislativo e o judiciário são controlado pela oposição. Ou ainda, determinado grupo político tem maioria no legislativo e no executivo. Mas grupos econômicos com o apoio da mídia sabotam e atravancam as ações do governo.

2) Ser contra determinados governos não significa ser contra o Estado. Ou seja, determinados setores políticos são críticos a governos, por conta da não concordância com a administração do Estado. No entanto, estes mesmos grupos não são necessariamente contra a existência do estado. Exemplo: Liberais e sociais democratas podem estar na oposição por discordarem da administração do Estado. Mas os mesmos não defendem o fim do Estado. Comunistas normalmente são oposição aos governos, também acreditam no fim do Estado, mas acreditam que o Estado deve existir durante o socialismo e só posteriormente deve ser extinto. Enquanto anarquistas são necessariamente contrários aos governos representativos e ao Estado.

Progressista, conservador e reacionário.

Esta é outra distinção é bem importante para debates e orientações políticas. Entende-se como progressistas aqueles que são favoráveis a mudanças que levem ao desenvolvimento e o progresso da sociedade. Enquanto conservadores são aqueles ligados ao tradicionalismo que em geral se contrapõem a mudanças abruptas. E reacionário são aqueles que defendem a manutenção da ordem social frente a propostas de mudanças. Inclusive propondo mudanças no sentido contrário para restaurar o que foi modificado socialmente.

O que normalmente se confunde:
Alianças políticas nem sempre são feitas entre grupos políticos de mesma ideologia ou recorte político. Frente algumas conjunturas são feitas alianças mais amplas. Um exemplo clássico na história mundial foi a aliança entre liberais, sociais democratas e comunistas para enfrentar o fascismo e nazismo. No período da ditadura militar no Brasil também uniram-se sociais democratas, comunistas e liberais. Todas estas frentes foram possíveis por conta da crença na oposição entre reacionários e progressistas.

Pelego, Coxinha e esquerdista.

As denominações coxinhas e pelegos são denominações recentes mais informais:
A palavra pelego origina-se do termo utilizado para pele ou o pano que amaciava o contato entre o cavaleiro e a sela. O termo se popularizou no Brasil a partir da era Vargas para denominar líderes sindicais e sindicatos que eram submissos aos interesses dos patrões. Recentemente podemos entender como pelego aquele que faz o jogo político dos patrões, dos governos e etc. Coxinha é um termo paulista utilizado para se referir a indivíduos conservadores, que é politicamente correto e que se preocupa em adotar comportamentos que são aceites pela maioria das
pessoas. “Acredita-se que o apelido surgiu para descrever os policiais que estacionavam em frente a locais que vendiam este salgadinho. Mais tarde passou também a descrever pessoas "certinhas", que seguem as regras a qualquer custo. Esquerdista é um conceito criado pelo líder comunista Lenin no texto “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” para descrever setores políticos de esquerda que ele considerava extremistas e prejudiciais ao desenvolvimento do comunismo global.


Mas afinal, porque não podemos dizer que o PT é comunista?

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Ultimamente se tornou frequente postagens de textos e imagens que associam o governo do PT ao comunismo. Apesar deste tipo de associação mostrar-se errada e absurda por meio de qualquer estudo sociológico e histórico sério sobre a questão, pela repetição em massa das postagens por páginas e perfis da internet, e também por falas neste sentido de figuras com entrada na grande mídia a ideia torta se propaga.

Vivemos em um país onde o acesso ao conhecimento é precário, temos uma instituição escolar cheia de problemas que existe em paralelo a uma mídia extremamente alienadora empenhada a formar gerações e gerações de analfabetos funcionais. O ensino da disciplina sociologia, fundamental para entender os fenômenos sociais e os conceitos relacionados a estes se tornou obrigatório somente recentemente e frequentemente é atacado por governos que não querem a educação de sujeitos pensantes. Frente a isso a desinformação cresce.
Seja como for precisamos lutar para promover o conhecimento e desenvolver a autonomia e pensamento critico da sociedade. Vamos aqui tentar ajudar no que diz respeito a desconstruir esta ideia absurda que ronda a mídia empresarial e a internet.

Mas afinal, porque não podemos dizer que o PT é comunista?

O que é comunismo?
Para falar de comunismo é importante ter em mente o conceito de modo de produção:
Modo de produção é a forma de organização socioeconômica associada a uma determinada etapa de desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção. Na história existiram os modos de produção primitivo, asiático, feudal, capitalista (no qual vivemos). Para além destes os críticos ao capitalismo teorizaram sobre a possibilidade de superar os problemas do modo de produção atual ( a desigualdade de riquezas, a exploração do homem pelo próprio homem, a opressão de classes e etc) através do socialismo e posteriormente o comunismo
O modo de produção comunista se caracterizaria por uma sociedade igualitáriasem classes sociais, sem Estado, sem opressão, baseada na propriedade comum e no controle coletivo dos meios de produção. O socialismo seria uma fase intermediário entre o capitalismo e o comunismo.

O que seria um governo comunista?
Seria um governo socialista de ideologia comunista que implementaria  mudanças estruturais na sociedade para promover a mudança de modo de produção rumo ao comunismo. Ou seja, um governo que desse fim as classes sociais e a propriedade privada entregando o poder aos trabalhadores, para desta forma acabar com a exploração do homem pelo próprio homem e alcançar uma gestão social igualitária e coletiva.


O que é o PT?
O PT é um partido de massas de origem de esquerda que surgiu como um aglomerando de grupos de diversas orientações ideológicas. Ao longo do tempo as correntes mais moderadas (que defendem mudanças dentro do capitalismo e não o fim dele) ganharam força dentro do partido enquanto a maioria dos setores que defendiam o socialismo e o enfrentamento do capitalismo deixaram o partido (tal como o PSTU e o PSOL). 

O que é o governo do PT?
O governo do PT é uma coligação multi partidária realizada para possibilitar a eleição e governabilidade dentro do sistema político capitalista existente. Dentre os partidos que se somam ao PT no governo encontra-se partidos sociais democratas e também partidos de centro e de direita. Desde a chegada do PT ao governo em nenhum momento houve o rompimento com os fundamentos do modelo capitalista de sociedade. Pelo contrário a cada dia que passa o governo assume mais e mais uma postura de simples administrador do capital.

O PT seria aliado de outros países comunistas como China, Coreia do Norte, Cuba e Venezuela? 
Apesar dos aspectos sociais do regime cubano, dos avanços sociais na Venezuela e da insistência da vinculação midiática da ideia que Coreia e China são comunistas,  nenhum destes países pode ser considerado de fato comunista. Em todos estes países existe Estado, propriedade privada (mesmo que limitada), exploração de trabalho e etc.
O governo do PT não é comunista!
Quem defende a ideia do "regime comunista do PT" replica ideias sem fundamento por desconhecimento de princípios básicos de sociologia e história ou utiliza-se de má fé com objetivo político de desqualificar o governo e também a ideologia comunista. Tal discurso absurdo só consegue se propagar por conta dos problemas de acesso ao conhecimento no país e a uma campanha mau intencionada destinada a enganar as pessoas propositalmente.


Quem cria e porque criam esta confusão?
Setores da elite nacional representada pelo pensamento de direita criam estas ideias e tentam fazer com que as pessoas as entendam como grandes sacadas intelectuais para enfraquecer o governo e deturpar o significado do que é comunismo. O objetivo é enfraquecer o governo (que apesar de não ser comunista disputa dentro do capitalismo a administração do sistema com o PSDB) e sobretudo tentar desqualificar os discursos dos comunistas e todos aqueles que pregam a igualdade, justiça e poder realmente popular. 

Ousar lutar!

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Curta metragem sobre a luta dos educadores do Rio de Janeiro no ano de 2014.

Os 5 vídeos mais bizarros da Direita PSDB e seus argumentos políticos sensacionais.

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