Um papo reto para todos os estudantes.

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Esta mensagem é para você estudante! Que estuda nas escolas públicas ou pequenas escolas privadas de nosso país. Um papo reto que dificilmente vão te dar ao longo da sua vida de estudos.
Você está inserido em um modelo de ensino que tem como único objetivo te preparar para o mercado de trabalho e vida social pacata. A escola para a maioria da população que é pobre, e ao qual você está incluído, funciona para manter as relações de poder tais como estão. Uma pequena elite dominante e todo o resto submisso a ela. A elite possui amplo acesso a erudição, para aprender a dominar e controlar o povo. Você só está na escola porque os donos do poder precisam de trabalhadores que tenham o minimo de conhecimento, pois até para os cargos mais baixos da escala do trabalho é necessário algum conhecimento. Ler, escrever e fazer contas é fundamental para que vocês sirvam as empresas e seus donos. Mas nada muito além disso.

Não é a toa que matérias críticas não sejam a prioridade, por exemplo: pra que vocês precisam estudar filosofia e sociologia? Para perceber o sistema de exploração e dominação e se revoltar? Não, o sistema precisa de analfabetos funcionais e de apertadores de parafuso que obedeçam passivamente seus chefes. E que sonhe inutilmente ser mais do que que isso.

Também não é a toa que centros culturais, museus, teatros e bibliotecas não são comum nos subúrbios e favelas. O conhecimento sempre foi uma arma, e quem está no poder não iria de forma alguma entregar de bom grado esta arma para aqueles que eles dominam. No passado, a educação formal era restita as classes dominantes, na sociedade contemporânea o povo precisa de alguma informação para poder trabalhar. Mas este conhecimento tem de ser limitado ao máximo.

Políticos de todos os tipos prometem melhorias na educação. Mas a verdade é a seguinte! Quem deseja manter o sistema tal como ele é necessariamente quer a escola tal como ela é.

Estar do lado da educação é estar lutando contra a sociedade de classes que temos.


A MÁQUINA CABRALESCA, DUALISMO E FORÇA MILITAR

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Rio de Janeiro Março de 2014

               A máquina de guerra Cabralesca está presente em várias atividades de “limpeza territorial”, operações especiais em várias favelas da cidade do Rio de Janeiro durante esta noite em um misto de necessidade de exposição midiática, campanha eleitoral e preparação do terreno para recepção do grande jogos.

        A máquina que produz UPP social, aprendeu como manter uma estabilidade para si entre o conflito, a paz e a pacificação. Garante uma ocupação de território de forma economicamente viável, lança ao trabalho praças e outros policiais em geral pobres, com pouco treinamento e com toda uma estrutura militar de policiamento. Sai mais barato e mais substituível por o pobre para trabalhar ali, porém aquela que deveria ser apenas a primeira porta do estado, se torna a única, e por sua vez incapaz de corresponder a complexidade de serviços que os estado precisaria dispor nos territórios ocupados.

       A máquina Cabralesca, que desde as jornadas de junho está apagada tentando se levantar, se vê diante um dilema; com o advento da copa do mundo e eleições batendo a porta, tem que buscar uma reestruturação urgente, e encontra sua resposta no mesmo universo estratégico que encontrou em 2010.

        Em uma linha muito requintada de ações onde: por um lado temos uma UPP cada vez mais fragilizada economicamente e politicamente visto não ter se mostrado eficiente a que veio, investidas sistemáticas de abuso de poder e impunidade por parte da força policial militar por um lado, e o continuo armamento dentre o mais pobres da população expoem a cidade ao perfeito clima de terror, onde PMs pobres e garoto pobres de favela estão em cosntante conflito, armados ou não. Coloca o jogo neste patamar, apenas controlar a máquina de poder capaz de liberar o medo na população, assim enquanto por um lado Policiais em operação ostensiva desnecessária atiram, acertam com um tiro de fuzil e, sob alegação de socorrer, arrastam o corpo da professora Cláudia pelas ruas do subúrbio carioca; sendo liberados da cadeia devido decisão do ministério público militar. Por um outro lado, policiais da UPP totalmente despreparados são ordenados a impor a ordem em seus territórios para prepará-los para os jogos.

          A máquina estrutura este jogo de poder e conflito em que através de peças pobres e facilmente substituíveis, publiciza sua guerra, e nos vende um spaghetti western constante, cuja própria máquina tem poder de despersonificar em números estatísticos ou transformar em fato político e notícias de jornal, como bem queira movimentar-se no tabuleiro. Desta forma a máquina gera e retroalimenta o dualismo entre um presumido bem e mau e operacionaliza este dualismo como bem queira, fazendo assim com que em algumas horas todas a pessoas de um território sejam más diante de uma corporação policial boa, defensora, e em outra hora um policial seja singularizado para que o título de maldade não resvale na instituição.

       Resumir a base de complexidades dos problemas a serem enfrentados a relações dualistas tem outras vantagens estratégicas, uma delas a citar é a inversão de posicionamento, enquanto para qualquer estado soberano um governo admitir a necessidade de um sistema de segurança militar contra os de sua própria cidade, seria admitir a falencia deste estado diante de uma constante guerra civil, em uma postura dualista de valores entre bom e mal, conegue-se convencer que é o bom mediante a postura ser para um presumido bem maior.

        Porém no caso do Rio de Janeiro pré Copa, o ponto mais interessante sobre isto, talvez esteja em como o alinhamento estadual-federal, se utiliza de forma brilhante deste dualismo, em que por um lado lança de suas engrenagens militantes em um constante temor da ameaça do controle do território nacional por uma nova ditadura militar e de outro lado envia tropas militares a apoiar as ações de controle territorial e a aceleração dos processo de remoções nas favelas cariocas, deixando de priorizar uma construção em conjunto com os moradores.


Barbaridade em Madureira.

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Do Jornal nova Democracia.

Até quando?

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   À essa altura a maioria das pessoas já deve saber a notícia da morte da auxiliar de enfermagem Cláudia da Silva, 38 anos, e suas circunstâncias trágicas.
   Uma sociedade capaz de produzir um polícia que protagoniza cenas como essa deve ser questionada como um todo. Como é possível que algo assim aconteça? Quão mais longe prosseguiremos na barbárie? Até quando durará a anestesia que nos permite seguir normalmente depois de ver algo tão grotesco? Uma coisa é certa: esses policiais não vieram de Marte num disco voador, eles nasceram e cresceram aqui, são fruto de nossa sociedade, assim como nossos políticos, traficantes, assassinos e ladrões acorrentados à postes. Essa cena é produto da sociedade doente em que nascemos, crescemos, e que todos nós, em uma medida maior ou menor, contribuímos para que venha se perpetuando.
   No entanto, o vislumbre do todo não pode ser justificativa para abandonar a visão dos problemas menores que o formam, problemas mais imediatos, e por isso mesmo de resolução mais fácil em curto prazo. Os policiais envolvidos devem ser punidos e o comandante geral deveria ser, no mínimo, convocado a prestar esclarecimentos públicos sobre o comportamento infame desses seus comandados. E como todos sabemos, mas é sempre importante frisar: essa cena é apenas a "cereja do bolo" de atrocidades que a PMERJ pratica normalmente; a cena é chocante, mas infelizmente não é surpreendente, e também não é surpreendente que seja protagonizada por policias. Uma polícia preconceituosa e racista, onde os "erros de conduta" ocorrem, via de regra, contra pobres e negros. Como resume muito bem uma frase que circula aí pelas redes sociais, "não existe bala perdida em bairro rico". No caso da morte de Cláudia não se pode afirmar que houve a intenção de arrastá-la por parte dos policias, mas podemos afirmar com certeza que houve no mínimo negligência e displicência. Um branco morador de bairro rico receberia o mesmo tratamento?
   E nesse cenário trágico há uma peculiaridade estarrecedora. Basta uma olhada rápida no perfil físico dos praças (policiais militares de patentes mais baixa) para perceber que a maioria é de negros e pardos; uma análise um pouco mais profunda nos dados desses policias decerto revelaria que são, em sua maioria, oriundos de bairros pobres, periféricos ou mesmo de favelas. Muitos deles, quem sabe, precisam esconder a própria profissão no lugar onde moram. Então, essa polícia formada de negros e pardos de classe sociais menos abastadas é a mesma que desrespeita, fere e mata diariamente pessoas negras e pardas de classes sociais menos abastadas. É pobre contra pobre, negro contra negro, amigo contra amigo, irmão contra irmão. Até quando?

   Acordem, praças da PMERJ! A melhoria da sociedade passa por uma profunda reforma na segurança pública, e a reforma da segurança pública passa por vocês. Acordem, praças da PMERJ! Enquanto vocês estiverem embriagados na ilusão do poder de dar uma "carteirada", vestir uma farda ou portar uma arma vocês não serão nada além dos patéticos cães de guarda dos canalhas que vos oprimem. Enquanto vocês acatarem as ordens de desrespeitar, ferir e matar pessoas que compartilham com você a mesma origem humilde e a mesma cor de pele vocês serão apenas fantoches na mão daqueles que dificultam ainda mais a vida do pobre, serão apenas fantoches daqueles  que fizeram com que vocês considerassem uma opção válida essa carreira de arriscar a própria vida por um salário irrisório.

 

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