E você, não acredita no crescimento da extrema direita no Brasil?

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Até onde vale a pena trabalhar de graça?

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Vi hoje a publicidade no Metrô Rio do Estação da Música e corri pra web pra ver qual era. Cheguei até a divulgar pr'uns amigos, mas quando peguei o regulamento pra ler desisti de continuar divulgando.


Cada ponto separado pode não ser tão ruim assim, mas se ligar cada um, poderemos ter nítido a mente maléfica, rs, dos advogados do escritório comandado pela Srª Adriana Ancelmo:
 "4.3. Não haverá contrapartida financeira e nem vínculo empregatício dos músicos com o METRÔRIO, bem como não poderá ser realizada qualquer ação que estimule a doação de valores" isto é, os músicos não recebem de forma alguma. O Metrô quer que você se contente com a simples divulgação do seu trabalho;
 "9.6. Durante todas as etapas do processo, e até 05 (cinco) anos após o término do Projeto, os músicos se comprometem a não atentar contra a imagem do METRÔRIO" isto é, o cara não pode reclamar nem do edital nem do serviço prestado pelo Metrô durante 5 anos! Poderiam ao menos melhorar o serviço pra ajudar o povo não reclamar;
 "7.2. Os artistas deverão se apresentar na audição com a mesma estrutura e infraestrutura que utilizarão nos dias de apresentação nas estações. Não poderá ser utilizada a energia elétrica e o mobiliário do METRÔRIO. " isto é, o espaço tá aí cumpadi, o restante tu se vira.
É a partir desse ponto que as coisas começam a ficar mais claras. O cara aprovado pelo edital tem quase as mesmas condições do artista ambulante que já se apresenta pelo metrô, com o diferencial que este profissional pode descolar uma grana. O que parece, adicionando mais este ponto na nossa analise, é que o intuito do metrô é criar uma forma legal, da legalidade, de vetar os artistas mais humildes que descolam uma grana se apresentando nos vagões, mas de uma forma legal, da parceiragem, selecionando os artistas que se apresentarão de graça, sem onerar de qualquer forma a empresa, nem mesmo com energia elétrica;
ponto bônus:
"9.12. Não poderão ser comercializados materiais de registro das Obras (como, por exemplo, CDs e camisetas), podendo ser divulgado o trabalho verbalmente ou através de cartões com informações adicionais para os interessados.", isto é, o metrô não te paga pela sua apresentação, os passageiros não podem contribuir pela sua apresentação, e você também não pode vender nenhum material com seu trabalho, mesmo tendo um contrato de 3 meses com o Metrô Rio.

Concluindo, como já disse o Bertamé, "o Metrô Rio ganha uma fortuna com seus passageiros viajando iguais sardinha, mas não quer pagar um mísero centavo para os músicos tocarem", pra fazer a empresa posar de legal, da parceiragem. Outra conclusão, é mais fácil fazer mais artistas de otários, do que reconhecer e profissionalizar os artistas ambulantes que já circulam pelo metrô.

Nota.-Segue em anexo o edital:
http://www.metrorio.com.br/Novidades/EstacaoDaMusica#

Todo Mundo Vai ao Circo

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Autor: Flávio Lima

Flávio lima é compositor, agente cultural e professor de geografia, atualmente milita com cultura e território pelo Centro Cultural Casa do Artista Independente e pelo M.A.I.S. – Movimento dos Artistas Independentes do Subúrbio.
Dentro de poucos dias o povo brasileiro vai votar. Vai obrigado, mas vai. Uns preferem ir cedo para se livrar o mais rápido possível do “dever”!?  “Cívico”!? Outros vão mais tarde, depois do churrasco. Todo mundo vai. O mais velho e o  mais  novo,  sem  distinção  de  classe  social,  etnia,  gênero  ou  credo  religioso,  exercer  o  seu  direito/dever  de democraticamente eleger os governantes e os legisladores do país.
 
A cidade está tomada por propaganda. Vias públicas, fachadas, bandeiras, galhardetes, santinhos... tudo alicerçado pelo  horário  eleitoral  gratuito  e  as  redes  sociais;  o  que  não  falta  é  informação.  No  entanto,  a  qualidade  da informação é na maioria das vezes questionável, duvidosa e o conteúdo extremamente prepotente.
 
As  mazelas  a  serem  resolvidas  são  as  mesmas.  Na  prática  os  problemas  expostos  ao  eleitor  são  os  de  sempre, sempre  porque  não  é,  não  foi  e  não  será  lucrativo  resolvê-los.  Como  propor  um  desenvolvimento  sustentável quando o consumismo compulsivo é estimulado? Como eliminar as desigualdades, se as campanhas são desiguais? Qual o gasto com a propaganda eleitoral? De onde vem o dinheiro? Pra onde vai? Em quem acreditar?
 
Na reta final de campanha, o que se vê é um amontoado de discursos, gingles e fantasias num desfile esquizofrênico, exótico e grotesco que contribui para o grande circo das Assembléias e do Congresso Nacional.  A superficialidade das propostas é assustadora, a discussão política é vazia, o teatro dos debates é ridículo, os atores são canastrões e aí,  quando  nada  é  solúvel  na  aridez  de  propostas  sérias  e  factíveis,  cresce  a  passos  largos  o  apelo  para  o sobrenatural, o intangível. Forças fundamentalistas se amontoam num mar de citações religiosas e tudo se resume no duelo entre o sagrado e o profano.
 
O que resta ao eleitor é escolher o menos ruim. A que ponto chegamos! Ou onde ainda estamos! É preciso cuidado. Trata-se  da  eleição  de  pessoas  que  vão  ditar  os  caminho  do  país.  Os  problemas  são  concretos  e  apelar  para  o fundamentalismo  é  um  recurso  perigoso,  além  de  covarde.  Como  diria  o  poeta:  “Êh  vida  de  gado”.  A  comitiva comandando o rebanho pelo pantanal das ruías em direção ao curral da urnas. Essas montanhas de hipocrisia não se removem pela fé. “É preciso estar atento e forte”, dizia outro poeta. Em poucos dias todos vão ás urnas, obrigados, mas vão. Em vão!?

Contra o Martírio dos Manifestantes

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              Em um movimento sem lideranças, o grande poder resolveu por investir  em criá-las, construindo suas imagens como se fossem os inimigos número 1 de uma população.  A quem acredita nisto por uma ideologia qualquer, tudo bem, fique em sua ideologia acreditando nisto, pois este curto texto tem outro direcionamento, esclarecer aos que estão nos movimentos ou compreendem tudo que está ocorrendo para além dos recortes da grande mídia e dos sistemas de controle de poder.

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Foto: Coletivo Projetação

              O texto será simples:  Temos no Rio de Janeiro ao menos 4 grandes perseguições (não citarei todos os que foram presos) são elas:

              Rafael Vieira – Preso por portar Pinho Sol e condenado por ser negro e pobre (única coisa que me vem a mente afinal pinho sol não é produto criminoso e é inviável transformá-lo em molotov como nós mesmos no linhas de fuga já testamos via este web-vídeo.

                 Caio e Fábio – Presos pela morte do cinegrafista da band, estão aplicando uma tentativa de condenação muito superior ao que o caso deveria receber, e pasmem, uma mesma situação aconteceu em São Paulo, mas nos lados reversos, um PM acertou o olho de um cinegrafista e o cegou.  Enquanto Caio e Fábio podem ser condenados por crime qualificado no caso do Rio de Janeiro; em São Paulo, um policial foi absolvido e a justiça disse que a culpa é da vítima que não deveria estar lá.
http://gerry.jusbrasil.com.br/noticias/134557682/acusados-de-morte-de-santiago-andrade-serao-julgados-por-juri-popular 

no Caso de Caio e Fábio Raposo é dito:

Caio Silva de Souza e Fábio Raposo Barbosa serão julgados por homicídio triplamente qualificado e explosão […] O órgão ministerial fluminense imputou aos dois acusados a prática dos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e uso de explosivo) e explosão contra Santiago Andrade.


http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/09/justica-culpa-vitima-de-bala-de-borracha-pela-perda-proprio-olho/

onde a sentença no caso do repórter atingido pelo policial diz:

“Permanecendo no local do tumulto, dele não se retirando ao tempo em que o conflito tomou proporções agressivas e de risco à integridade física, mantendo-se, então, no meio dele, nada obstante seu único escopo de reportagem fotográfica, o autor [refere-se ao repórter fotográfico] colocou-se em quadro no qual se pode afirmar ser dele a culpa exclusiva do lamentável episódio do qual foi vítima”, concluiu. O juiz substituto em 2º grau Maurício Fiorito e o desembargador Sérgio Godoy Rodrigues de Aguiar também participaram do julgamento e acompanharam o voto do relator.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/09/fotografo-diz-ser-absurda-decisao-que-o-culpa-por-ferimento-em-protesto.html  

           Sininho – Além do processo que a põe como “a grande líder de todos os males da sociedade de bem”, existe um projeto de prisão kafkaniana pra ela, é nítido a tentativa de cárcere moral da garota, qualquer passo, respiro ou movimento da mesma tende logo a ser trabalhado em direção a criar um estereótipo com a proposta de esvaziar o discurso de luta da mesma. Mesmo em liberdade não lhe dão o direito de estar livre, livre a responder uma entrevista, a andar na rua sem ser julgada, dentre outros.  Como por exemplo vemos nesta manchete tendenciosa

 http://extra.globo.com/famosos/sininho-faz-ensaio-para-revista-fala-sobre-convite-para-posar-nua-nao-ia-vender-tanto-14051409.html 

Onde o Extra lança a Manchete:

Sininho faz ensaio para revista e fala sobre convite para posar nua: ‘Não ia vender tanto’

Quando o que a menina fez, foi dar uma entrevista interessante para esta revista aqui: http://www.topmagazine.com.br/home/destaques/1907-top-talk-sininho-inimiga-publica-n-1

Começo da reportagem já dá pra sentir que o teor e o tema não é o que o Extra escolheu:

Dois estudantes a acompanham o tempo todo. Ela está jurada de morte pelas milícias, quadrilhas de policiais mafiosos que dominam várias comunidades carentes do Rio de Janeiro. Mal ela chega e logo é cercada por uma multidão de mendigos que a beijam e abraçam. Uma cena que se repetiu diversas vezes nas 12 horas seguintes nas quais ela foi acompanhada pela reportagem de TOP Magazine. […] 

Ao ser perguntada sobre a perspectiva de futuro, a respota (que denota o que é o teor da entrevista que o extra pouco quis saber) foi :


Essa é uma questão que a esquerda, principalmente, tem usado muito para nos desautorizar. Como se nós, depois de termos ido para a rua, tivéssemos a obrigação de ter respostas prontas. Mas isso é que é sensacional. A gente tem que construir respostas, não tê-las prontas. A massa tem de construir sua pauta e o seu desenvolver político. Vamos construir algo novo! Sem manipulação, aparelhismo ou direcionamentos.

              Compreendo que grupos e movimentos que ainda se consideram de esquerda apesar de apoiar Sérgios Cabrais, Malufs, Sarneys, Eduardos Paes, Pezões e Garotinhos, queiram alimentar estas histórias, e construir mitos para se manterem no status quo de suas boquinhas governamentais. Digo compreendo, mas é muito eufemismo, porque creio mesmo que estes grupos poderiam se manter com mais dignidade em suas boquinhas se fizessem governos cujo poder e a participação popular tivessem um pouco mais de prioridade sobre os mega-eventos, mega-cidades negócios e outras ações mais, este texto também não é para estas pessoas.

             No fundo, este texto que aqui se subscreve, é para aqueles que entendem que o que está em jogo aqui é a manutenção de um poder a qualquer custo, nem que para isso custe destruir ao máximo a vida de qualquer voz de diferença, e o que temos em mãos é trabalhar para que as vidas que estão em jogo, não só a destes 4, mas a do rapaz que foi preso por porte de nescau, e tantos outros não sejam destruídas por toda esta máquina militaresca que aqui se constrói.

             As mesmas operações policiais, judiciais e midiáticas que vemos nos casos destes jovens em nada diferem do que acontece nas favelas e bairros pobres de periferia, onde qualquer um que morre se torna culpado de alguma coisa instantaneamente, e onde cada policial que é pego pelo sistema errando se torna um caso isolado, que deve ser apurado, mesmo que esse caso seja uma rede de arregos em que a pirâmide se fecha no mais alto escalão do estado do rio de janeiro.

             O importante é que neste balaio todo de caos, confusões, erros e acertos, (pois sim podemos muitas vezes errar em nossas posições, em nossos caminhos também) ainda haja um certo otimismo para que a gente construa as respostas no decorrer da caminhada, e lembrando o outro grito que muito ecoava nas ruas: -Ninguém fica pra trás!  - talvez uma das mais bonitas declarações de amor a vida e a sociedade que tenha surgido nos últimos anos.   

Para complementar:

 

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